Programa Vivenciando o Autismo fala sobre seletividade alimentar e aspectos nutricionais

    Meu filho não come nada, o que eu faço? O programa Vivenciando o autismo convidou as nutricionistas Núbia Ruduit e Juliane Martins para ajudarem os pais com essa missão. As profissionais darão dicas de manejos, explicarão sobre intolerâncias e alergias. Então, vamos lá conferir?

    A pandemia nos levou a suspender, por tempo indeterminado as atividades presenciais do Programa. Porém, a Coordenação decidiu continuar trazendo conteúdos de forma virtual. Conheça as convidadas de novembro:

 

 

Núbia Ruduit

Nutricionista Graduada pela Unilasalle  e Especialista
em Seletividade Alimentar pela CBI of Miami.

 

 

 

 

 

Juliane Martins

Nutricionista Graduada pela PUC/RS e Pós Graduada
em Nutrição Clínica pela FAMEESP.

 

 

 

TEMA DO MÊS: SELETIVIDADE ALIMENTAR E ASPECTOS NUTRICIONAIS

    As nutris trouxeram uma abordagem didática e reflexiva. Núbia é especialista em seletividade alimentar e mãe de autista. Juliane tem especialidade em nutrição clínica. Ambas trabalham em conjunto e integradas com a equipe multidisciplinar do Plano de Saúde IBCM. Fonoaudiólogos, Terapeutas Ocupacionais, Psicopedagogos, Assistentes Sociais e Psicólogos são importantes aliados, afirmam as nutricionistas. “São a aldeia da criança e dessa família muitas vezes” reflete Núbia.

    Diferenciar o motivo da recusa pelo alimento é um dos pontos iniciais do tratamento, apontam. As nutricionistas orientam que é preciso investigar. Tem alguma intolerância ou alergia? Será que teve algum trauma? É manha? Tem ligação com a seletividade alimentar? Diante da preocupação dos pais, do pânico, da preocupação com a desnutrição, as nutris trouxeram uma série de informações e dicas:

 

Meu filho não come nada, e agora? Confira as informações e dicas das nutricionistas Núbia Ruduit e Juliane Martins.

Quando é intolerância e quando é alergia alimentar?

    Uma pessoa é intolerante quando tem dificuldade em digerir alimentos. Ex.: Intolerância a lactose, ao glúten, bastante comum entre autistas. A alergia acontece por uma reação do sistema imunológico ao alimento causando desconforto abdominal, fechamento de glote, erupções na pele. Há casos em que as duas situações aparecem num mesmo paciente.

 

O que fazer?

    No caso da intolerância à lactose, pode oferecer leites zero lactose que podem ser ingeridos, já outras intolerância é indicado a exclusão do alimento da dieta. Alergias, retirar o alimento por completo da alimentação. Nesses casos, quando houver reação a um alimento que indique intolerância e/ou alergia, o primeiro passo é retirar o alimento entre 15 até 30 dias, depois volta a dar e ver se aquela reação se repete. Caso se repita procure o pediatra.

 

O que é seletividade alimentar?

    Uma recusa alimentar, uma falta de apetite, aversão ao alimento. Cabe ressaltar que nem tudo é seletividade.

O que é intestino hiper permeável?

 

    O intestino fica hiper permeável quando sua proteção natural é desestabilizada. Nosso intestino é a primeira proteção do corpo ao mundo externo depois da pele, pois é ele quem faz o filtro do que pode ou não entrar. Esse filtro é feito principalmente pelas junções de aderência (tight junction) e zonulina.

    Quando se diz que o intestino está hiper permeável é como se este filtro fosse rompido, permitindo a entrada de moléculas grandes que antes não seriam capazes de entrar. Uma pessoa com o intestino permeável tende a ser altamente alérgica e intolerante aos alimentos e substâncias.

    Na atualidade estamos expostos a fatores que podem causar desequilíbrio intestinal, o que tem se tornado comum. Antes de se desesperar é preciso lembrar que as causas devem ser associadas aos sintomas e deve-se considerar a frequência, intensidade.

 

Dicas Gerais:

• Trabalhar a recusa alimentar precisa de paciência, persistência e um trabalho gradual, passos de formiguinha;

Observe a criança quando está comendo se encolheu, apertou a barriga, afastou o prato;

• Preste atenção nas questões sensoriais: Cor, Textura, Temperatura, Sabor, visual do alimento, olfato, tato e a reação da criança;

Teste dar o alimento em até 10 diferentes texturas;

• A criança deve ser avaliada por uma equipe multidisciplinar;

Tente incluir novos alimentos aos poucos. Ex.: Meu filho só come feijão, quero dar arroz. Faz o feijão e coloca bem pouco arroz escondido dentro do feijão. Assim a criança, não percebe e vai sentindo o sabor, a textura.

• Tente gradativamente ir ampliando a variedade dessa alimentação;

• Não querer um alimento, nem sempre quer dizer seletividade alimentar. Pode ser uma estereotipia, um padrão de comportamento. Ex.: A criança só come no mesmo lugar, no mesmo prato, mesma colher, um ritual;

Não force essa criança a comer, isso pode causar um trauma;

Não usar a comida como moeda para acalmar a criança, para encerrar a birra;

Não fique na zona de conforto oferecendo só o que a criança come;

• O ideal é começar esses manejos alimentares desde a introdução alimentar;

Proponha trocas. Se ele comer aquele alimento novo, pode brincar com o boneco que ele gosta;

Ofereça refeições em lugares diferentes;

Geralmente autistas gostam de produtos industrializados e esses produtos vêm carregados de aditivos químicos evite oferecer;

• Estudos confirmam que o Ômega 3 é super importante para a criança desde a barriga da mãe;

Probiótico para bebês, são bactérias boas e indicadas para ajudar a tirar a inflamação intestinal e equilibra a flora intestinal. Converse com seu nutricionista;

• É comum a criança brigar para comer. Se um pai na primeira birra der aquele alimento que a criança tá pedindo ela pode entender que sempre que brigar vai conseguir, evite alimentar esse comportamento;

• Pense o que você quer para saúde do seu filho;

• Os pais devem dar o exemplo. O que você comer seu filho vai querer.

 

VIVENCIANDO O AUTISMO:

O Programa visa proporcionar o compartilhamento de experiências entre pais e/ou cuidadores para que aprendam com diversos profissionais e possam assim ajudar no desenvolvimento dessas crianças.

 

Coordenação Geral: Eduardo Nascimento de Oliveira.

Coordenação Técnica: Maria de Fátima Luna (Assistente Social); Graziele Dreyer Berssane Palma (Psicóloga) e José Luiz Barbieux (Médico Diretor Técnico).

Maiores informações: servsocial2@ibcm.org.br ou (51) 3230.5512 (de segunda à sexta, das 8hs ao meio dia).

 
 

Por IBCM em 17/11/2020 às 14:00.

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