Terça-Feira, 29 de Outubro de 2019

Seletividade alimentar e aspectos nutricionais  foram temas de encontro sobre Autismo

Meu filho não come nada, o que eu faço? O programa Vivenciando o autismo convidou as nutricionistas Núbia Ruduit e Juliane Martins para ajudarem os pais com essa missão. As profissionais deram dicas de manejos, falaram sobre intolerâncias, alergias, funcionamento do intestino, suplementação e alimentação saudável para o desenvolvimento da criança. Em homenagem ao mês da criança, teve uma oficina sensorial de biscoitos. O evento foi gratuito.

 

As nutricionistas trouxeram uma abordagem didática e reflexiva. Núbia é especialista em seletividade alimentar e mãe de autista. Juliane tem especialidade em nutrição clínica. Ambas trabalham em conjunto e integradas com a equipe multidisciplinar do Plano de Saúde IBCM. Fonoaudiólogo,Terapeuta Ocupacional, Psicopedagogo, Psicólogos são importantes aliados, afirmam as nutricionistas. “São a aldeia da criança e dessa família muitas vezes” reflete Núbia.

 

Diferenciar o motivo da recusa pelo alimento é uns pontos iniciais do tratamento, apontam. As nutricionistas orientam que é preciso investigar. Tem alguma intolerância ou alergia, será que teve algum trauma, é manha ou tem ligação com a seletividade alimentar, questionam as profissionais. Diante da preocupação dos pais, do pânico, da preocupação com a desnutrição, as nutris trouxeram uma série de informações e dicas:

 

Meu filho não come nada, e agora? Confira as informações e dicas das nutricionistas Núbia Ruduit e Juliane Martins.

 

Quando é intolerância e quando é alergia alimentar?

Uma pessoa é intolerante quando tem dificuldade em digerir alimentos. Ex.: Intolerância a lactose, ao glúten, bastante comum entre autistas. A alergia acontece por uma reação do sistema imunológico ao alimento causando desconforto abdominal, fechamento de glote, erupções na pele. Há casos em que as duas situações aparecem num mesmo paciente.

 

O que fazer?

No caso da intolerância à lactose, pode oferecer leites zero lactose que podem ser ingeridos, já outras intolerância é indicado a exclusão do alimento da dietaAlergias, retirar o alimento por completo da alimentação. Nesses casos, quando houver reação a um alimento que indique intolerância e/ou alergia, o primeiro passo é retirar o alimento entre 15 até 30 dias, depois volta a dar e ver se aquela reação se repete. Caso se repita procure o pediatra.

 

O que é seletividade alimentar?

Uma recusa alimentar, uma falta de apetite, aversão ao alimento. Cabe ressaltar que nem tudo é seletividade.

 

O que é intestino hiper permeável?

O intestino fica hiper permeável quando sua proteção natural é desestabilizada. Nosso intestino é a primeira proteção do corpo ao mundo externo depois da pele, pois é ele quem faz o filtro do que pode ou não entrar. Esse filtro é feito principalmente pelas junções de aderência (tight junction) e zonulina.

Quando se diz que o intestino está hiper permeável é como se este filtro fosse rompido, permitindo a entrada de moléculas grandes que antes não seriam capazes de entrar. Uma pessoa com o intestino permeável tende a ser altamente alérgica e intolerante aos alimentos e substâncias.

Na atualidade estamos expostos a fatores que podem causar desequilíbrio intestinal, o que tem se tornado comum. Antes de se desesperar é preciso lembrar que as causas devem ser associadas aos sintomas e deve-se considera a frequência, intensidade.

 

Dicas Gerais:

  • Trabalhar a recusa alimentar precisa de paciência, persistência e um trabalho gradual, passos de formiguinha;
  • Observe a criança quando está comendo se encolheu, apertou a barriga, afastou o prato;
  • Preste atenção nas questões sensoriais: Cor, Textura, Temperatura, Sabor, visual do alimento, olfato, tato e a reação da criança;
  • Teste dar o alimento em até 10 diferentes texturas;
  • A criança deve ser avaliada por uma equipe multidisciplinar;
  • Tente incluir novos alimentos aos poucos. Ex.: Meu filho só come feijão, quero dar arroz. Faz o feijão e coloca bem pouco arroz escondido dentro do feijão. Assim a criança, não percebe e vai sentindo o sabor, a textura.
  • Tente gradativamente ir ampliando a variedade dessa alimentação;
  • Não querer um alimento, nem sempre quer dizer seletividade alimentar. Pode ser uma estereotipia, um padrão de comportamento. Ex.: A criança só come no mesmo lugar, no mesmo prato, mesma colher, um ritual;
  • Não force essa criança a comer, isso pode causar um trauma;
  • Não usar a comida como moeda para acalmar a criança, para encerrar a birra;
  • Não fique na zona de conforto oferecendo só o que a criança come;
  • O ideal é começar esses manejos alimentares desde a introdução alimentar;
  • Proponha trocas. Se ele comer aquele alimento novo, pode brincar com o boneco que ele gosta;
  • Ofereça refeições em lugares diferentes;
  • Geralmente autistas gostam de produtos industrializados e esses produtos vêm carregados de aditivos químicos evite oferecer;
  • Estudos confirmam que o Omega3 é super importante para a criança desde a barriga da mãe;
  • Probiótico para bebês, são bactérias boas e indicadas para ajudar a tirar a inflamação intestinal e equilibra a flora intestinal. Converse com seu nutricionista;
  • É comum a criança brigar para comer. Se um pai na primeira birra der aquele alimento que a criança ta pedindo. Ela pode entender que sempre que brigar vai conseguir, evite alimentar esse comportamento;
  • Pense o que você quer para saúde do seu filho;
  • Os pais devem dar o exemplo. O que você comer seu filho vai querer.

Assim foi o encontro de outubro do Programa Vivenciando o Autismo, recheado de dicas e assuntos para os pais refletirem. As nutricionistas Núbia e Juliane procuraram transmitir ideias de ações para que os pais porem em prática.  Após a palestra ocorreu uma oficina de biscoitos saudáveis ministrada pelas nutris. As crianças botaram a mão na massa, moldaram o biscoito e puderam provar. No final levaram para casa.

 

VIVENCIANDO O AUTISMO

O Programa visa proporcionar um ambiente para que pais e familiares de pacientes com o Transtorno do Espectro Autista, beneficiários do Plano de Saúde IBCM, profissionais e estudantes, possam compartilhar experiências, aprender com diversos profissionais e assim ajudar no desenvolvimento dessas crianças. Encontros gratuitos, uma vez por mês. Sem necessidade de inscrição.

 

Coordenação Geral: Eduardo Nascimento de Oliveira.

Coordenação Técnica: Maria de Fátima Luna (Assistente Social) e Anelise Rodrigues (Fonoaudióloga).

Maiores informações: servsocial2@ibcm.org.br

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